Ninguém da Rockstar comentou publicamente sobre versões de GTA 6 além de PS5 e Xbox Series X|S — o jogo, até aqui, só tem data confirmada para essas duas plataformas, em 19 de novembro. Mas quem trabalhou dentro do projeto tem opinião formada, e ela é mais específica do que o costumeiro "deve sair um dia": segundo Jérémy Hartvick, que foi open world designer da Rockstar entre 2017 e 2020 e atuou diretamente em GTA 6 nesse período, um port para o Switch 2 simplesmente não compensa — mas uma versão para celular seria tecnicamente viável hoje.
A declaração saiu numa entrevista ao canal Kiwi Talkz e foi replicada, com trechos ligeiramente diferentes, por wccftech, TechPowerUp e vgtimes — o suficiente para cruzar a citação central. Hartvick foi direto sobre o público do Switch: "Não acho que o público de GTA 6 seja tão parecido com o público do Switch", disse, completando que quem realmente quer jogar GTA "provavelmente compraria o console em que o GTA vai sair". A frase mais citada, porém, é esta: "Faz sentido você se esforçar pra provavelmente entregar uma experiência inferior, sabendo que qualquer um vai comprar um PS5 pra jogar seu jogo? Não."
O argumento técnico por trás da opinião
Não é só sobre gosto de público. O vgtimes detalha o raciocínio técnico: a simulação de mundo em larga escala de GTA 6 exigiria poder de processamento que a CPU do Switch 2 não entregaria sem cortes profundos — não um ajuste de resolução ou taxa de quadros, mas uma reengenharia de sistemas inteiros (física, IA, densidade de tráfego) para caber no hardware. Isso é leitura do veículo a partir da fala de Hartvick, não uma declaração técnica dele detalhando specs — ele fala em "experiência inferior", o vgtimes é quem conecta isso à arquitetura do console.
Aqui vale uma ressalva que nenhum dos três textos discute: o próprio catálogo da Rockstar contraria em parte esse argumento. GTA: The Trilogy — The Definitive Edition, bem mais leve que GTA 6, chegou ao Switch original em 2021 e ao Switch 2 já roda em versões aprimoradas de outros jogos da era PS4/Xbox One. O vgtimes reconhece esse histórico de vendas da Trilogy no Switch como evidência de que existe, sim, demanda por GTA no hardware da Nintendo — só não necessariamente pelo GTA 6 completo, no lançamento, competindo de igual para igual com a versão de PS5.
E por que o celular seria diferente
O contraponto de Hartvick ao próprio ceticismo é que ele não descarta GTA 6 em outra tela pequena: "Se colocassem a cabeça nisso, dava pra jogar GTA 6 no seu celular, porque essa tecnologia existe e já foi provada", disse — citando, na leitura dos veículos, o caminho que jogos como Death Stranding e Resident Evil Village já abriram rodando via nuvem ou versões nativas otimizadas em iPhones recentes. A diferença central que ele traça: rodar em nuvem ou com otimização pesada para celular não carrega o estigma de "versão pra baixo" que um port nativo mal ajustado para Switch 2 carregaria, porque o público de celular não está comparando com a versão de console lado a lado.
Nenhuma das fontes indica que a Rockstar esteja de fato desenvolvendo isso — é a opinião de alguém que não está mais na empresa desde 2020, ou seja, quatro anos antes da fase final de desenvolvimento do jogo que está saindo agora. Tratar essa fala como plano confirmado da Rockstar seria um erro: é a leitura de um ex-funcionário sobre viabilidade técnica, não um vazamento de roadmap.
O que isso muda para quem só quer saber se vai poder jogar
Para o jogador brasileiro, a resposta prática continua a mesma de sempre: em 19 de novembro, GTA 6 sai só para PS5 e Xbox Series X|S, com PC ainda sem data (estimativas de mercado apontam 2027-2028, como este site já mostrou). Switch 2 e celular, se algum dia acontecerem, são anos de distância — não há sequer um projeto anunciado, só a avaliação técnica de alguém que ajudou a construir o mundo do jogo e depois saiu dele.
O valor real dessa entrevista não é prever o futuro: é explicar, com quem participou do processo, por que a Rockstar historicamente prioriza uma geração de hardware de cada vez antes de espalhar o mesmo jogo por telas muito diferentes — e por que, dessa vez, a régua entre "faz sentido" e "não faz sentido" passa mais pela potência de processamento do que pela vontade comercial.