Dan Houser escreveu e produziu todos os Grand Theft Auto até o quinto jogo, mais Red Dead Redemption 2. Faltando 45 dias para o lançamento de GTA 6, ele não viu um segundo sequer do vídeo de gameplay que a Rockstar mostrou em agosto, e não pretende ver tão cedo.
A declaração saiu no podcast Strictly Business, da Variety, e começou a circular nesta semana em Dexerto, GameRant, Liberty City e VGTimes. A frase central, em tradução livre: "Eu ainda não vi. Vou tentar evitar, porque eu sempre tento evitar o que pode me distrair ou me atrapalhar criativamente." No original: "I haven't seen it yet. I will try and avoid it because I always try and avoid stuff that's going to distract or disrupt me creatively."
O vídeo em questão é o "Grand Theft Auto VI: An Extended Look", publicado no canal oficial da Rockstar no fim de agosto e descrito pela própria empresa como capturado inteiramente em imagens do jogo no PlayStation 5, com lançamento marcado para 19 de novembro. Segundo a Dexerto, a exibição chegou a passar na Netflix. Houser, que deixou a Rockstar em 2020, ficou de fora.
Um hábito antigo, não uma birra
O ponto mais interessante da conversa é que isso não foi dito como provocação ao ex-estúdio. Houser descreve um método de trabalho. Quando começou a desenvolver Red Dead Redemption, parou de assistir a westerns. E a série Família Soprano, que muita gente imagina como influência óbvia da saga GTA, ele só foi ver depois de sair da Rockstar, porque, nas palavras dele (tradução livre), ela "teria atrapalhado tudo o que eu fiz em GTA, se eu tivesse assistido na época".
Há uma pequena divergência entre os veículos sobre esse detalhe. Dexerto, GameRant e Games.gg dizem que ele viu Soprano só depois de deixar a empresa; o Liberty City conta que ele pulou a série inteira durante o desenvolvimento de GTA, com a exceção do episódio final, que teria assistido mais tarde, na pandemia. As duas versões convergem no essencial: a série ficou fora do processo criativo dos jogos. Qual das duas descreve melhor o episódio final, não conseguimos fechar com as páginas que abrimos, e não vamos escolher uma.
O problema de jogar como quem produz
Houser explicou que o mesmo vale para outros jogos de mundo aberto. Quando joga um, diz ele, acaba avaliando o trabalho do outro time em vez de se divertir. A Dexerto reproduz a fala assim (tradução livre): "Eu consigo quase desconstruir os pontos fortes e fracos da equipe em tempo real, e isso distrai." Segundo o Liberty City, ele chega a imaginar as reuniões de produção por trás de cada mecânica.
É um relato que qualquer pessoa que trabalhe com criação reconhece: depois de ver como a coisa é feita, é difícil ver só o resultado. No caso dele, a consequência prática é evitar, ao máximo, o jogo que vai ser comparado diretamente com tudo o que ele fez.
O que ele está fazendo agora
Desde 2020, Houser toca a Absurd Ventures, e é por causa dela que a conversa importa para quem acompanha o assunto. Segundo as fontes, o estúdio desenvolve dois jogos de mundo aberto com tons diferentes:
- um de comédia e ação-aventura, com ênfase em humor e na memória dos personagens (descrição do Liberty City e da GamesRadar, pelo título da matéria);
- um de ficção científica distópica sobre uma inteligência artificial que ganha consciência, citado por Liberty City, VGTimes e Tech4Gamers.
Nenhum dos dois tem data nem nome divulgados nas páginas que lemos. A comparação com GTA, portanto, só vai existir de verdade daqui a um bom tempo, e a Dexerto lembra que o próprio Houser reconheceu que ser medido contra o próprio legado é, no fundo, um elogio.
O irmão dele, Sam Houser, continua à frente da Rockstar e de GTA 6. Segundo a GameRant e a Games.gg, a narrativa do novo jogo está a cargo de outra equipe. Ou seja: o texto que o público vai ler e ouvir em novembro não é o de Dan, e ele diz que prefere descobrir o resultado como o resto do mundo, mais tarde.
O que a conversa não diz
Nas fontes que lemos, Houser não critica GTA 6, não comenta o que foi mostrado e não diz que vai jogar depois do lançamento. Ele só diz que, por ora, vai evitar. Também não encontramos a data exata em que o podcast foi gravado; só sabemos que a repercussão começou entre 3 e 4 de outubro, e que não abrimos a página original da Variety, apenas as matérias que a citam.
O que vale para o leitor brasileiro é simples: não há nada novo sobre o jogo aqui, nem preço, nem versão, nem disponibilidade. Para a conta de quem está comprando a pré-venda, nada muda. Quem quiser ver o lado prático do lançamento pode ler a data oficial de 19 de novembro ou o que um ex-Rockstar disse sobre GTA 6 no celular e no Switch 2.
Leitura do site
A nossa leitura, que é opinião e não informação de fonte: a história funciona porque Houser é a pessoa mais associada à voz da série e mesmo assim vai ser, na prática, um espectador tardio. Para GTA 6 isso é neutro; para os jogos da Absurd Ventures, é uma aposta de que ficar longe do que o concorrente faz rende algo mais original. Só dá para avaliar quando houver um jogo dele para comparar.
